As formas de viver no Vale do Ribeira

Em nossa viagem ao Vale do Ribeira, tivemos a oportunidade de nos defrontar à fatos e histórias muito interessantes. Aprendemos muito sobre a vivência dos povos, costumes e cultura, levando em conta o desenvolvimento sustentável e a propriedade coletiva. Os lugares visitados e estudados foram, primeiramente, o Quilombo de Ivaporunduva, uma terra da qual ninguém é dono e todos trabalham juntos. Eles têm um sistema de trabalho diferenciado do resto do país, pois, como foi mencionado anteriormente todos trabalham pela comunidade, como  por exemplo, na coleta de bananas: uns a coletam, outros a encaixotam, e outros a exportam. Todo dinheiro dessa atividade vai para uma organização do Quilombo que divide o dinheiro de acordo com a necessidade de cada família. Fomos também ao Centro Tuzino, um lugar que é destinado ao cultivo de palmito, cujo dono é o senhor Jorge Tuzino. Visitamos as cavernas, e as estudamos, descobrindo muitos fatos interessantes. Além disso, estudamos, discutimos e aprendemos sobre as barragens.

- “Ganho pouco, mas vivo bem.” Afirma Ditão, líder do Quilombo. Com o salário mínimo, no Quilombo é possível ter as condições necessárias para sobreviver, já que não precisa pagar por moradia, terra e grande parte da comida, pois muitos alimentos são conquistados por trocas entre os quilombolas. Além disso, todas as famílias recebem um ganho no final do mês. Uma das maiores plantações é a de banana, vendida primeiramente para Campinas com 1200 caixas por mês, e o resto para São Paulo e outras cidades. Cada família também tem uma plantação, e recebe uma quantia garantida de comida ao final do mês (da venda de banana e outros alimentos) e o dinheiro que sobrou é distribuídos de acordo com a quantidade produzida por cada um. No Quilombo, há também, fora a banana, 200 hectares de palmito Juçara.

                Não é só o Quilombo que têm plantações de palmito, mas também o Centro Tuzino. Lá, conversamos com Jorge Tuzino, o dono, sobre suas plantações. Três tipos de palmito são plantados lá: o Juçara, que pode ser cortado apenas uma vez; o Açaí, que pode crescer e ser cortado várias vezes; e o Híbrido, que e uma mistura dos dois e tem vários troncos. Há outro tipo de palmito, mas esse não e plantado por senhor Tuzino, pois segundo ele o Pupunha “não tem sabor, não tem cor, não tem valor”. Com a valorização do palmito nos dias atuais, ocorreu um grande aumento na quantidade de palmitos clandestinos. Esses palmitos são cortados mais jovens, e, por tanto, são menores e de pior qualidade do que os plantados legalmente. De acordo com o senhor Tuzino os palmiteiros clandestinos “acabaram com tudo”.

O palmito é muito importante para a região do Vale do Ribeira, que vive das exportações deste e da banana. Além disso, o palmito também é importante para o meio ambiente, pois a sua semente serve como alimento para Tucanos e outros animais. Outra atividade importante é o turismo: todos os anos, milhares de pessoas vão à visita do maravilhoso parque PETAR.

Existem varias cavernas no parque, formadas há centenas de anos. Estas foram formadas por três fatores importantes: primeiramente, pelo tipo de pedra (calcário), que é facilmente corroído pela água ácida, o segundo fator. O terceiro fator é a alta declividade da região; que faz com que a água da chuva desça em direção às rochas. Apesar do turismo gerado pelas cavernas ser lucrativo para a região, ele também traz vários problemas para as cavernas. Os turistas danificam o ecossistema, com nomes escritos nas paredes, estalagmites e estalactites quebradas e lixo jogado pelas cavernas. As cavernas do PETAR também possuem uma grande importância ambiental. Várias espécies ocupam esse ecossistema, inclusive algumas que só existem lá. Isso faz com que a destruição das cavernas não prejudique só a beleza das paisagens, mas também várias formas de vida, como animais.               

Outro fator que pode prejudicar as cavernas é a construção das barragens que o governo planeja. As construções vão gerar alagamento e até a destruição total de algumas cavernas e da Mata Atlântica ao redor, além da morte de vários seres vivos. A construção das barragens prejudicará também o Quilombo de Ivaporunduva, pois alagaria completamente casas de famílias, plantações, e terras. Os Quilombolas continuam lutando para evitar a construção das barragens, pois irá prejudicar toda a comunidade e as cavernas.

No Vale do Ribeira, a economia tem uma “proporção” diferente que em outras cidades. As pessoas ganham menos, mas gastam muito menos. As maiorias das pessoas conseguem viver razoavelmente bem nas condições dentro do vale, mas não possuem dinheiro para viver em uma cidade grande. Isso impede que o Vale do Ribeira seja completamente sustentável, pois não é economicamente viável. O Vale do Ribeira é um local com uma biodiversidade muito destina que merece ser preservada. A maioria das pessoas não tem essa consciência… Tenha você.

Manuela Maluf

O Impacto das Barragens no Vale do Ribeira

Hoje em dia, utilizamos os recursos hidráulicos para o abastecimento de água nas zonas residenciais, agrícolas e industriais. Mas também utilizamos a água dos rios para a produção da energia elétrica. Nesse sistema, por meio de barragens (barreiras artificiais feitas para reter grandes quantidades de água), a água é usada para rotacionar turbinas nas usinas hidrelétricas e gerar abastecimento para o país.
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) propôs criar quatro barragens, que visam à produção de energia para a empresa, no rio Ribeira de Iguape, o que aumentaria estrondosamente o nível da produção de alumínio e consequentemente o da exportação. Mas os projetos não foram aprovados devido aos protestos e da luta contra a destruição de um ambiente natural, já que o nível do rio também seria elevado devido à construção da barragem.
O quilombo de Ivaporunduva é um dos lugares que mais seria afetado. Grande parte de seu território seria tomado pelas águas do rio, que por conta da barragem teria seu nível elevado o suficiente para devastar e inundá-lo incluindo a sua vasta plantação de bananas que é parte do sustento de seus moradores. “Eu acho que como um grupo/povo nós conseguiremos evitar que a nossa identidade seja brutalmente arrancada de suas origens” foi o que Ládio, um guia turístico do quilombo afirmou quando lhe perguntamos se sua persistência seria suficiente para evitar que construíssem as barragens. Os quilombolas perderiam território assim como os pescadores, indiretamente, perderiam seus empregos, pois as barragens acabam com os peixes (pois interditam sua passagem para o lado em que se localizam os pescadores da região).
As cavernas também sofreriam o impacto que causaria o aumento do nível da água. Todas as cavernas próximas ao rio seriam completamente inundadas. Além do estrago ecológico (que destruiria um ecossistema que demorou milhões de anos para se formar e todas as espécies que vivem exclusivamente na região), o turismo, principal atividade econômica do Vale do Ribeira, estaria ameaçado. Muitas cavernas não mais existiriam, logo não estariam mais abertas para visitação.
A CBA tinha como objetivo principal usar as usinas como fonte de energia para si, aumentando sua própria produção de alumínio. A MAB (Movimento dos Afetados por Barragens), que tem o apoio dos quilombolas, pescadores, preservadores de cavernas e trabalhadores de unidades de conservação, diz “queremos outro tipo de desenvolvimento! Um que realmente dê oportunidades de melhoria e qualidade de vida para toda a população”. Ládio novamente declarou: “diria que não impediremos apenas com nosso argumento, e sim com o de todos de uma sociedade justa e unida onde há uma forte, forte luta contra as barragens do Rio Ribeira de Iguape”.
Pode-se observar, portanto, que com as barragens o Brasil se tornaria muito rico, a região se revitalizaria, e o país passaria de bom para ótimo na economia; mas estaria destruindo a cultura de um povo que depende daquelas terras, e que há gerações luta por elas.

Luciana Wolosker

Consequências da Barragem Tijuco Alto

Victória Galvão Bueno Graminho

O PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), nacionalmente famoso por sua biodiversidade, abrga uma imensidade de cavernas e uma variedade de fauna e flora imensurável. Restrito a área remanesente da Mata Atlântica, o parque prega a preservação cultural e, principalmente, ambiental da única parte não devastada da Mata Atlântica.
Infelizmente, este apelo não tem sido atendido ultimamente. A começar pelas cavernas. A falta de cuidade dos turistas com estas, levou o parque à um fechamente em meados de 2008. Agora, com o novo “Manual de manejo espeleológico”, a proteção dos espeleotemas ficou muito mais fácil.
Muitos se perguntam o porquê de tantas cavernas no Vale do Ribeira. Aexplicação e que nesta região há muitos fatores contribuintes, como o calcário, a mata e muita água corrente. Tais cavernas não são as únicas áreas protegidas da região.
Mesmo não sendo designado como uma área de proteção, propriamente dito, o Quilombo de Ivaporunduva tem a maior concentração de descendentes de escravos do Brasil. Ditão Alves, líder da comunidade quilombola, afirma que sobre não permitir que não-descendentes, exceto cônjuges, adentrem a comunidade, é mais uma questão de presecação da identidade, para que não haja uma descaracterização da cultura e costumes.
Em termos ambientais, há uma grande preocupação no Quilombo. Esta se dá, pois é do meio ambiente que vive-se a comunidade. Tudo o que se consome lá, exceto óleo e sal, é produzido dentro desta enorme propriedade coletiva. Esse conceito não é muito aplicado hoje em dia, porém como no Quilombo, prova ser muito eficiente se houver uma colaboração de todas as partes.
Uma preocupação e tanto para estes quilombolas, é a proposta da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Propusera-se há alguns anos, que fosse construída uma barragem (Tijuco Alto) no único rio “virgem” do São Paulo. O fundamento da Companhia, é que com mais esta barragem, aumentarão as oportunidades de emprego na região. O que não mencionaram, foi que para esta, mais do que indesejada, construção muito território será tomado por água e muitas plantações destruídas completamente. “Não há dinheiro que pague nossas terras” Diz um Quilombola.
Quanto a oferta feita pela CBA? “Impagável” afirma morador da comunidade, indignado. Segundo Ditão , se construção for aprovada, “vão inundar nossas terras e jogas as famílias quilombolas nas favelas da cidade”. A barragem, que fora planejada justo no rio Ribeira de Iguape apenas para suprir as necessidades da ópria companhia, vai não só botar um fim na economia dessa sociedade, como vai tabem acabar com a história e tradições de uma comunidade inteira.
E o estrago não acaba por aqui. Milhares de hectares de palmito serão destruídos, o que represent para a mata atlântica, uma catástrofe. O Centro Tuzino, cujo principal objetivo é exatamente a preservação do palmito Juçara, pode até não ser afetado pela barragem, mas vem sofrendo com pragas, que acabam por atingir as plantações de palmito híbrido (Juçara e açaí). Já o Pupunha, é absolutamenre condenado pelo dono do centro, Jorge Tuzino, Segundo ele, palmito que “não tem sabor, não tem cor, não tem valor” e só atrai praga.
Mesmo tendo alguns ambientes isentos de preocupação em relação à barragem, dentro do Vale do Ribeira, muitas comunidades serão atingidas. Até mesmo as cavernas, que parecem estar tão bem protegidas, serão inundadas e sua visitação proibida. Sendo assim, a barragem que trará benefícios apenas para a própria CBAn tem sido o foco do tra balho intensivo do MAB (movimento dos atingidos por barragens) e tem sido muito polêmica entre as comunidade da região.

Preservação ambiental e cultural do Vale do Ribeira

Hayara Cataneo

      Nesse estudo do meio, estudamos  a região do Vale do Ribeira, que recebe este nome pelo fato da Bacia hidrográfica do Rio Ribeira e ao Complexo Estuario Lagunar de Iguape, Cananéia e Paranaguá, localizado ao sul do estado de São Paulo e ao Leste do estado do Paraná. Sua ocupação teve inicio no século XVI, em Cananéia e Iguape por espanhóis r portugueses . Essas cidades funcionavam como apoio aos colonizadores com seus portos facilitando a entrada de mercadorias por meio do Rio Ribeira de Iguape e seus afluentes. A mineração de ouro foi ‘’responsável’’ por várias cidades o Vale do Ribeira, porém, no século XVIII os garimpeiros abandonaram a região do Vale do Ribeira ao receber a noticia que o estado de Minas Gerais possuía ouro em abundância. Atualmente o Vale do Ribeira abriga 21% de remanescentes da Mata Atlântica do Brasil, são 150 mil hectares de restinga e 17 mil de manguezais. A UNESCO em 1999 declarou a região Patrimônio Natural da Humanidade e contém as maiores biodiversidades, pois conserva a maior porção de Mata Atlântica.

     Neste conjunto de áreas preservadas são encontradas não apenas florestas, mas importantes comunidades, como o Quilombo de Ivaporunduva. Uma comunidade que opta pela propriedade coletiva, que se originou no século XV, localizado no município de Eldorado,que abriga cerca de 100 famílias. Suas casas são feitas de cimento e pau-a-pique, ou seja, bambus entrelaçados, formando uma rede. Por ser uma comunidade coletiva  e com isso, não podem vender o terreno, e a terra é muito importante para os quilombolas, não existe demarcação de terreno, e assim que os quilombolas vivem: um ajudando o outro ser ter nenhum problema. A principal atividade de Ivaporunduva é a agricultura voltada principalmente na produção e vende de bananas orgânicas, o maior número de vendas é para Campinas. Por mês, a venda de banana aproxima-se de 1200 caixas contendo cada uma 20kg de banana para Campinas.

      O quilombo foi originado com a morte da dona de escravos Maria Joanna, não sabe-se muito de sua vida, e nem como uma mulher se tornou dona de escravos as o que sabemos é que ao morrer os escravos ocuparam sua fazenda, depois de um tempo formando uma comunidade. Na viagem, descobrimos que só pode fazer parte da comunidade se for descendente ou se casar com um quilombola, e também conhecemos o Ditão, o líder da comunidade, que diz que não lhes falta nada, vivem muito bem. Muitas tradições foram mantidas, o Quilombo de Ivaporunduva não é somente uma comunidade, mas também ua preservação cultural, que não deixaram de lado, são seguidas até hoje tradições de muitos séculos.

      O Vale do Ribeira vem sofrendo muito com o desmatamento do Palmito Juçara ilegalmente. No Centro Tuzino, e não há nada a fazer o controle é muito difícil, e pagar segurança particular é muito caro. Seu Tuzino deixa bem claro que não gosta do Palmito Pupunha, ‘’Não tem cor, nem gosto, e da pragas’’, palavras do seu Tuzino. O palmito Juçara leva cerca de 8 á 10 anos para ficar bom ao corte, enquanto o Hibrido e o Açaí leva cerca de 4 anos. Atualmente o corte do Juçara está suspenso.

      O centro Tuzino distribui  palmito a ribeirinhos e indígenas. No centro há cerca de 80 mil palmeiras, e o seu Tuzino disse que graças às abelhas ele conseguiu formar o palmito Hibrido e o Açaí melhorado.

       O Vale do Ribeira não tem somente uma ótima biodiversidade, mas também possui cavernas, maravilhosas. As cavernas são ambientes totalmente escuros, onde são formados os longos dos milhões de anos, os espeleotemas. O parque aonde se concentra as cavernas chama-se PETAR, onde que com o mau manejo das cavernas podem fechar aos turistas. A formação de uma caverna, é muito mais complexo do que parece, um dos meios que fazem a cavidade são as chuvas, que com o ar poluente, se tornaram ácidas, e ao penetrarem o solo as águas ficam ainda mais ácida sendo assim, entrando nas fraturas da rocha dissolvendo o calcita ( Ca Co³) . Quando tratamos de espeleotemas, estalactites, cortinas,colunas, que entre muitos são os mais conhecidos. Na caverna do Diabo, a mais antiga do Brasil, possui salões com milhares de espeleotemas, tendo em um, a maior estalagmite. A caverna que possui mais espeleotemas (colunas, estalagmites, estalactites, etc.) São as  mais antigas,pois na caverna aonde o rio abre, eles fecham. A formação do espeleotema se constitui na dissolução dos minerais das rochas (principalmente calcita e dolomita) na água e fluem em direção às camadas sedimentares. Esse processo, chamado calcificação é responsável pela criação das cavidades ocorre o rebaixamento do lençol freático e as galerias se enchem de ar. Essas condições são as necessárias para a formação de espeleotemas. Mesmo após o ‘’esvaziamento’ das galerias a agua continua dissolvendo os minerais através dos furos na rocha. Quando essa solução de bicarbonato de cálcio entra em contato com a caverna ocorre a liberação de gás carbônico: CaCO3 + H20+CO2. A medida que a água pinga deixa pequena quantidade de minerais precipitados que aos poucos se cristalizam, formando as estalagmites e estalactites. Esse processo, com o escorrimento forma-se as cortinas.

      As cavernas não guardam somente uma preservação ambiental, como já citei, a caverna do Diabo te uma história que os escravos fugitivos se escondiam dentro da caverna, e ouviam vozes, os escravos levavam a comida para um breu completo, e ao acordar os alimentos não estavam mais lá, e sim do lado de fora. E para completar os escravos podiam jurar que haviam visto o Diabo na caverna.

      Todos que visitam a caverna entendem o porquê das ‘’alucinações’’ dos escravos, os espeleotemas, com a imaginação se tornam formas sendo uma delas a cara de um Diabo, porém, há uma coisa que não certa, acreditamos que os animais (morcego) pode ter levado a comida, mas não é uma certeza.

      Uma das maiores ameaças deste riquíssimo patrimônio é o projeto de construção de barragens pelo Rio Ribeira de Iguape, são quatro barragens , Tijuco Alto, Funil, Itaoca e Batatal, com o objetivo de gerar energia, e supostamente, de contenção de cheias, porém com essas quatro barragens construídas, inundarão permanentemente uma área aproxiadmente de onze mil hectares, incluindo cavernas.

      O projeto das barragens esta para serem construídas para o Médio e Alto Ribeira, tendo assim uma clara ameaça aos quilombos. As barragens ameaçam também as comunidades que dependem da pesca e do extrativismo marinho no Complexo Estuarino Lagunar de Cananéia-Iguape-Paranaguá, pois vários estudos já apresentados apontam para possíveis alterações na produtividade pesqueira dessa região com a construção das barragens.

      Os Quilombos já estão na luta há 20 anos, contra a construção das barragens e dizem que irão até o fim, lutaram com todas as garras.

      O vale do Ribeira apesar dos menores IDH tem muito que o ensinar, com uma biodiversidade bárbara e com um povo que são dispostos a ir ate o fim com o que pensam. O Vale do Ribeira é um exemplo de força de vontade.

 

Foto tirada por: Débora S.L. de Souza 30/05/2010. Na  caverna do Diabo, há a maior estalagmite do Brasil,  e há muito tempo escravos fugitivos habitaram a caverna.

O Papel do Turismo no Vale do Ribeira

Rodrigo Berezovsky, O discurso do Zaca, PETAR, abril de 2010, O Zaca esta explicando sobre a formação das cavernas.

 Por Rodrigo Berezovsky

Rodrigo Berezovsky, A explicação do Ditão, Quilombo do Ivaporunduva , abril de 2010, O Ditão respondia as perguntas da turma.

 

O PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto de Ribeira) é um parque nacional de preservação ambiental localizado no Vale do Ribeira (mais especificamente entre São Paulo e Paraná). A cada dia existe um incentivo maior em relação ao turismo nessa região.
Um dos lugares mais visitados do Vale do Ribeira é o Quilombo do Ivaporunduva. Esse quilombo foi um dos primeiros a se formar no Brasil, quando a dona daquela área (Dona Maria Joanna) faleceu no século XVII (estima-se). Nas visitas aos quilombos, os turistas veem as plantações de banana orgânica e palmito (além de várias outras menos importantes para a economia de lá).
A principal renda das cerca de cem famílias que vivem neste quilombo são os cento e trinta mil pés de banana orgânica. A maior parte dessa plantação (mil e duzentas caixas de vinte quilos) é enviada para Campinas.
A comunidade quilombola é um exemplo de propriedade coletiva, onde tudo é de todos. Todos produzem, todos têm casa e comida.
Um dos maiores problemas hoje do quilombo e da região é a construção das barragens no Rio Ribeira. Com a proposta das barragens o investimento no quilombo caiu muito. As barragens seriam para hidrelétricas que iriam gerar energia para a CBA (Companhia Brasileira de Alumínio) podendo produzir e exportar mais. Com as barragens o nível da água iria subir muito atingindo quinze municípios e muitas comunidades quilombolas (entre elas o Ivaporunduva) e ribeirinhas.
Lutando contra esses projetos estão principalmente o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) que é nacional e o MOAB (Movimento dos Ameaçados por Barragens) que é regional.
Outro lugar muito visitado no Vale do Ribeira é o Centro Tuzino. O Sr. Tuzino, cultiva açaí, juçara (muito importante na Mata Atlântica) e um híbrido (uma mistura de açaí e juçara). Durante uma apresentação do Sr. Tuzino, pude perceber que este abomina o palmito pupunha. Segundo ele: “o pupunha não tem cor, não tem sabor e não tem valor”.
O dono deste centro também explicou que apesar do palmito juçara demorar oito anos para crescer e só pode ser cortado uma vez, é extremamente necessário plantá-lo, a biodiversidade depende deste palmito. Vários pássaros e animais pequenos (alguns grandes também) se alimentam desta planta, se acabar o palmito, todo
o ecossistema se prejudica.
Outras grandes atrações turísticas são as cavernas, que são cavidades formadas há milhões de anos em rochas (acúmulos de camadas de vários materiais). Os rios formam estas cavidades. Depois de muito tempo que esta caverna está lá começa a formação dos espeleotemas (exemplo: estalactite, estalagmite, coluna, cortina, travertino).
As barragens podem destruir todo esse patrimônio histórico e ambiental, assim acabando com todo o turismo da região. Esse turismo poderia se tornar importante para a região.

Vale do Ribeira: a Conservação do Meio Ambiente

Vale do Ribeira: a Conservação do Meio Ambiente

O Vale do Ribeira é uma região muito conhecida, pois é nele que se encontram 21% dos remanescentes da Mata Atlântica no Brasil. É localizado entre o extremo norte do Pará e o extremo sul de São Paulo. O Vale do Ribeira é considerado rico ambientalmente e pobre economicamente, mas na verdade isso é uma visão criada pelo homem na qual, os lugares que possuem plantas e ecossistemas de interesse para o homem são chamados de “ricos ambientalmente”, o que na verdade não é correto, pois todos os solos são ricos. Historicamente, essa foi uma das regiões mais importantes na época da mineração, mas ao longo dos anos foi abandonada, levando ao declínio do Vale.
A principal fonte de renda dos Ribeirinhos (habitantes do Vale do Ribeira) é o turismo gerado pelas cavernas. Apesar de trazer benefícios economicos o turismo é muito prejudicial às cavernas: a falta de conscientização das pessoas junto com o mau manejo das cavernas pode levar a destruição deste patrimônio ambiental.
Mas porque a existência de tantas cavernas? Pois há um grande potencial para que elas sejam formadas, ou seja, existe uma grande quantidade de rocha calcária, água e floresta: os três elementos básicos para a criação de formas rochosas. As cavernas são formadas a partir das infiltrações de chuva ácida (H²O + CO²) que vão corroendo a rocha, e ao mesmo tempo formam-se novas formações rochosas, devido à água da chuva que penetra pelas fissuras, e ao pingar a pedra retém uma pequena quantidade de calcita contida na água, que formam as estalagmites e estalactites após milhares de anos.
Este mundo das cavernas não esta totalmente a salvo dentro dos parques ambientais como o PETAR. Paira sobre ele uma ameaça: a construção de barragens. O projeto pode trazer graves impactos para a região, não só destruirá o ecossistema, como também afetará o turismo na região. Com a construção, as cavernas seriam inundadas, e grande parte da vida de outras espécies que dependem das cavernas seria arrasada pela água. A companhia que está dirigindo este projeto é a CBA, que vem investindo na construção de barragens há 20 anos. Os Quilombolas vêm resistindo à construção desde seu início com a ajuda da MOAB (Movimento dos Ameaçados por Barragens) que é formado por moradores locais.
Há muitos anos, o Quilombo de Ivaporunduva era uma fazenda que pertencia a Maria Joana, uma das únicas mulheres criadoras de escravos da época, e pouco se sabia sobre ela. Esta comunidade Quilombola foi criada há 400 anos, quando Dona Maria Joana adoeceu em uma de suas viagens ao exterior. Sendo viúva e sem filhos suas terras foram deixadas aos seus escravos. Esse fato estimulou outros escravos fugitivos a se instalaram lá, assim formando o Quilombo mais antigo do Vale do Ribeira. Atualmente, vivem por agricultura de subsistência; e suas tarefas são divididas entres as famílias, que no final do mês recebem o referente ao que foi produzido. Suas casas são feitas usando uma mistura de barro com troncos de madeira chamada de pau-a-pique. Mesmo não tendo dinheiro em abundância possuem uma melhor qualidade de vida comparada a outros que ganham mais. No Quilombo não há uma só pessoa que dirige as terras, todos são. Não existe um pedaço de terra para cada família, é tudo de todos, assim vivem em conjunto e todos se ajudam. No total são 3154 hectares de terra que pertencem ao Quilombo.
Atualmente, a produção de banana no Quilombo está rendendo uma boa quantia de dinheiro, por ser uma banana de alta qualidade: é uma banana totalmente natural, e possui as mesmas qualidades das vendidas no supermercado. Existem aproximadamente 130 mil pés de banana no Quilombo, e deles são produzidos 12 200 caixas de banana por mês. Por enquanto eles apenas a exportam para o Porto de Santos, onde ela é vendida para fora do país, mas futuramente pretendem realizar uma parceria com o grupo Pão de Açúcar.
Todos esses anos apenas Quilombolas e descendentes de Quilombolas vivem na comunidade, mas a quem as terras pertencem? Porque pessoas não descendentes de escravos não podem morar no Quilombo? A entrada de não-descendentes de escravos é totalmente proibida, pois querem que todas as tradições Quilombolas sejam mantidas e que aquela propriedade pertença aos descendentes que lutaram por ela centenas de anos atrás.
Localizado perto do Quilombo de Ivaporunduva, está o centro Tuzino, onde é plantado o palmito,uma das principais plantas da cadeia alimentar da Mata Atlântica. Pertenceu ao pai do dono atual, Sr. Tuzino. Foi um dos primeiros a replantar palmito na região, além de ter “criado” o palmito híbrido, uma mistura do palmito Açaí com o palmito Juçara, que possui várias vantagens: frutifica de 4 em 4 anos, diferente do Juçara que frutifica de 8 em 8 anos, e pode chegar a 10 anos, além de possuir mais de um caule chamado de touceira.
O palmito (fruto comercializado) localiza-se no topo da palmeira, fazendo com que, para ser retirado, seja necessário cortar a planta inteira. A venda do palmito clandestino, que é retirado mais cedo e por isso tem uma pior qualidade, é muito comum na região: existem mais de 120 fábricas clandestinas no Vale do Ribeira. Mas há como diferenciar o palmito clandestino do legalizado? Sim: se o palmito estiver com um formato fino e pequeno quer dizer que foi retirado muito antes de crescer totalmente, enquanto o legalizado só pode ser retirado após essa fase. Com toda a importância do palmito na região, a biodiversidade depende dele e sofre grande ameaça, se o palmito continuar a ser cortado clandestinamente.
O Vale do Ribeira, apesar de ser uma região pouco desenvolvida economicamente, é um exemplo a ser seguido pelo resto do país: contém uma grande quantidade de mata nativa preservada e consegue balancear a economia com o meio ambiente, isto é, é sustentável.

Stéphanie Azzi

Vale do Ribeira: riqueza ambiental x pobreza econômica

Débora Sakashita Logatto de Souza

O Vale do Ribeira, localizado entre o sul do estado de São Paulo e o norte do Paraná, é conhecido pelo seu valor cultural e pela grande variedade de cavernas, além dos 2,1 milhões de hectares remanescentes da Mata Atlântica ali presentes, mas também pela sua pobreza econômica. A região do Vale do Ribeira possui o menor IDH do estado de São Paulo e Paraná, sendo

esse 0,69. Mas será que é certo se referir ao Vale como “rico” ou “pobre”?

                Por possuir uma grande quantidade de rocha calcária, água e florestas, a região do Vale do Ribeira tem um grande potencial para formar cavernas, já que estas são constituídas a partir da dissolução do calcário pela água ácida (H2O + CO2), sendo que o gás carbônico vem, principalmente, das árvores da Mata Atlântica. Além das cavernas, que agora atraem muitos turistas, a região abriga 2,1 milhões de hectares, equivalentes a 21% dos remanescentes de Mata Atlântica.

                O ecoturismo pode trazer vantagens, mas também desvantagens. Essa atividade é a maior fonte de renda do Vale, mas os turistas, no caso da caverna do Diabo, tiravam pedaços de espeleote

mas para levarem de lembrança, o que destruía a caverna. Para definir a forma de visitação das cavernas, de modo que estas não ficassem danificadas, a Secretaria do Meio Ambiente encomendou planos de manejo que, se forem aceitos, beneficiarão não só o turismo, mas também a preservação das cavernas.

                Mais ainda do que o turismo predador, há um projeto da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) que visava a construção de quatro barragens, sendo elas: Tijuco Alto (a primeira que seria construída), Itaoca, Funil e Batatal, que ameaçavam o Vale. Se o projeto fosse aceito e realizado, partes de unidades de conservação, áreas revestidas de Mata Atlântica, cavernas e terras ocupadas com comunidades quilombolas e pequenos produtores rurais seriam inundadas. O IBAMA, levando em consideração o princípio de desenvolvimento sustentável, não aprovou a construção da barragem Tijuco Alto. Conforme Ditão Alves, líder e morador do quilombo de Ivaporunduva, “ Se as outras barragens forem construídas, vão inundar nossas terras e jogar as famílias quilombolas nas fa

velas da cidade”. Para protestar contra as barragens, formou-se o MOAB (Movimento dos Ameaçados por Barragens), que é um movimento local e o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), que é um movimento nacional.

                Surgido no século XVII, embora ninguém saiba exatamente como, o quilombo de Ivaporunduva participa dos dois movimentos acima cit

ados. As pessoas costumam pensar que o quilombo é uma região pobre e, de fato, os quilombolas não arrecadam muito dinheiro, mas tudo o que eles comem vem da própria terra, com exceção de óleo e sal, logo, eles não se preocupam com esse tipo de despesa. “Ganho pouco, mas vivo bem”, disse Ditão Alves. As fontes de renda do quilombo são os produtos feitos de pala de bananeira, como bolsas, carteiras, pulseiras e bijuterias. A principal, no entanto, é a produção de banana. Esta é vendida para São Paulo e, principalmente, para Campinas, onde são enviadas 1200 caixas contendo, cada uma, 20 quilos de bananas todos os meses. No quilombo, além da banana, há plantações de mandioca, milho, arroz, feijão, verduras, legumes e palmito (aproximadamente 200 hectares), mas são culturas de subsistência, pois nenhum destes produtos é vendido, são apenas para consumo próprio.

                Não são somente as comunidades quilombolas que produzem palmito no Vale do Ribeira, no entanto. O centro Tuzino é um centro destinado ao cultivo de palmito e ainda inclui uma nova espécie: o híbrido Tuzino. Para combinar os dois tipos de palmito, o seu Tuzino, o dono do centro, colocou o pólen do palmito Juçara (o palmito com o melhor gosto) na flor do palmito Açaí ( o mais sustentável pelo fato deste possuir vários brotos que, se cortados, rebrotam e a árvore não é nociva ao ambiente, ao contrário do Pupunha).  O híbrido, logo, é um palmito com vários brotos, mas o fruto é bom como o Juçara.

                Enfim, é correto nos referirmos ao Vale do Ribeira como “rico” ou “pobre”? Minha opinião: não. Por quê? Pelo fato dessas qualidades, “rico” e “pobre”, serem atribuídas levando em consideração o interesse humano. O quilombo é um exemplo:  o dinheiro não é abundante, ou seja, é economicamente pobre, mas os quilombolas consegue

m viver bem e, também, há  cavernas, que possuem uma grande variedade de espeleotemas, logo, é ambientalmente rica.

Foto por: Sofia de Russi / Caverna do Diabo, 30 de abril de 2010

Na Caverna do Diabo, há uma grande diversidade de espeleotemas, incluindo o retratado acima, também chamado de cortina, já que esse se assemelha a uma. As cortinas formam-se a partir do escorrimento da água com calcita numa rocha inclinada que, com o tempo, se tornarão como a que vemos na foto.

A palha de bananeira, retirada da própria plantação de banana do quilombo, é matéria prima para os artesãos quilombolas para a produção de diversos artefatos, tais como as bolsas retratadas acima.